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Virtude: Perdão

Perdão

PERDÃO É HUMANO • O NÃO PERDÃO É NEURÓTICO

“Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos tenha ofendido”

Jesus Cristo

A primeira coisa a entender sobre perdão é que: PERDÃO É HUMANO O NÃO PERDÃO É NEURÓTICO

Ou seja, o ser humano é bom e é natural perdoar, o que você vai entender neste capítulo é porque não consegue ser mais humano.

Devemos desejar todo bem, do fundo do coração, a esse outro que errou para conosco. O perdão liberta a nossa mente e o nosso coração, pois quando temos mágoa, rancor ou raiva de uma pessoa, travamos o fluxo da vida, fazemos associações de tudo relacionado à situação e ficamos defensivos e rancorosos.

O perdão tem que ser igualmente praticado para consigo mesmo. Quando carrega culpa, você se julga e entra em um estado de autopunição, de autossabotagem inconsciente, afastando todas as coisas boas e travando o fluxo da vida.

Por que é tão difícil perdoar?

Alguém nos fere, alguém nos trai, alguém nos prejudica e ficamos com ódio e mágoa. Alguns são os motivos dessa dificuldade:

  • Orgulho
  • Mecanismo de defesa
  • Busca por justiça
  • Projeção de suas próprias punições
  • Fantasia da culpa reparadora no outro
  • A não compreensão das faixas de evolução do outro
  • Não aceitar ser pago com a ingratidão

Orgulho

Não dar o braço a torcer, não sair por baixo ou não deixar o outro que errou se dar bem. Tudo isso é puro orgulho. Uma das maiores expressões do orgulho é “ninguém pode errar comigo!”. O orgulhoso acha que as pessoas não podem errar consigo pois tem a fantasia de que todos devem saber como trata-lo e se importar com ele. Os orgulhosos não admitem que ninguém pode ser ferido, porque isso fere a sua importância perante os outros.

Perdoar pode nos fazer pensar que somos bobos ou fracos, e se perdoarmos muito, poderemos sempre ser passados para trás. Por isso, para perdoar, é preciso antes de tudo lutar com essa ideia e aceitar; primeiro que aos olhos da sociedade podemos ser bobos e fracos sim, e que isso não importa. Não importa o que os outros pensam de você. Ou seja, não importa quer dizer que não quero ter importância.

Você foi enganado, prejudicado e ainda assim vai perdoar? “Você é um otário” — assim pensam os primitivos. O orgulhoso precisa do reconhecimento das pessoas.

Você não quer se passar por bobo. Então a gente não libera o perdão. Por quê? Porque ficamos pensando no que os outros vão pensar sobre a nossa atitude do perdão.

Perdoar não é permitir que o outro erre com você novamente, é parar de vibrar ódio e mágoa em relação a uma memória catequizada.

O PERDÃO É PARAR DE VIBRAR ÓDIO E MÁGOA, E COMEÇAR A VIBRAR AMOR

Então pare, seja forte, firme, maduro e perdoe sim. Use o perdão. Lembrando: o perdão não é essa posição arrogante do “eu te perdoo”. Você não é ninguém para perdoar alguém.

Quando você deixa de vibrar ódio e mágoa, aceita o que aconteceu, deixa para lá e vibra amor para a pessoa. Isso é perdão. Perdão não é essa posição de dar algo para a pessoa.

Mecanismo de defesa

Quando alguém fere um animal, ele vai olhar para o agressor com medo. Qualquer reação brusca que o indivíduo tiver, ele vai ter a lembrança da dor. Então se alguém te causou dor, é muito simples: você vai reagir a essa dor. E você não quer passar por dor de novo. Sendo assim, como forma de autodefesa, o EGO vai, de forma inconsciente e primitiva, tentar afastar quem e o que te causou dor. O indivíduo nessa situação, só de pensar em dar o perdão, entra em ansiedade e fica sintomático, podendo até ficar exaltado e agressivo.

Então a primeira coisa que você tem que fazer é trabalhar a própria virtude da aceitação. Não aceitar aquilo que aconteceu me faz reagir defensivamente com qualquer movimento que lembre o que me causou a dor. Lembre-se: animais se defendem, humanos pensam na realidade.

Busca por justiça

Os medíocres não aceitam que alguém erre e ainda saia absolvido, que se dê bem. Muitos que se dizem extremamente corretos não percebem que o perdão é mais correto; é ser um humano reto de boas condutas; mais do que alguém que busca por justiça.

Pense: quem você acha que é mais evoluído? Quem busca a justiça dos homens ou quem perdoa? O perdão não é justo.

“Todos os seres humanos vêm da mão de Deus e todos nós sabemos alguma coisa a respeito do amor de Deus por nós. Qualquer que seja nossa religião, sabemos que, se realmente quisermos amar, precisamos primeiro aprender a perdoar antes de qualquer outra coisa”

(Madre Teresa de Calcutá, Amor Maior Não Há, São Paulo, 2017)

Projeção das suas próprias punições

De forma inconsciente, o indivíduo busca uma justiça de que todos devemos receber do mundo igualmente. Se todos somos irmãos, temos os mesmos direitos. Isso é uma visão distorcida de Tudo Somos UM. Temos que ter a união como irmãos, porém cada um está em uma faixa de evolução diferente com as suas dinâmicas próprias para a sua evolução. Por isso pessoas orgulhosas e infantis — que ainda questionam Deus e o mundo por não terem as mesmas vantagens que outras pessoas — não conseguem liberar perdão, pois elas querem receber perdão primeiro; elas se sentem injustiçadas por perdoar e não serem perdoadas.

Fantasia da culpa reparadora no outro

Inconscientemente, alguns indivíduos pensam que se não perdoarem, que se deixarem a pessoa como culpada, ela vai aprender o seu erro. Porém isso só está acontecendo na cabeça do indivíduo, o outro nem sabe o que está acontecendo, ou não percebe a situação dessa forma.

Outro ponto importante dessa dinâmica econômica interna do EGO é que isso é uma expressão de orgulho; o indivíduo que impõe um aprendizado ao outro, tem certeza do que é certo! E isso é muito errado, é orgulho!

A não compreensão das faixas de evolução do outro

Também é preciso usar a competência do não julgamento para com o próximo que te causou mal. Não julgar já é difícil quando o erro afeta os outros, mas a excelência do não julgar é quando o erro afeta a nós, e mesmo assim não julgamos e perdoamos.

De forma primitiva, de forma reativa, julgamos como forma defensiva. O que importa é você compreender de fato que cada pessoa tem um estágio de evolução; uma motivação interna inconsciente; uma neurose; um transtorno. E que, às vezes, você foi um objeto nesse teatro interno do outro. Esse outro nem tem noção real do que fez.

Entender as faixas é um ato de amor e de consciência.

Não aceitar ser pago com a ingratidão

Fazer o bem sem ostentação é uma das máximas que as religiões propõem como o verdadeiro bem, porém como você realmente sabe que não quer nada em troca, lá em seu íntimo? No fundo — no fundo —, você quer pelo menos a gratidão dessa pessoa beneficiada. Quando somos pagos com a ingratidão e isso não nos afeta, essa é a maior prova de que fizemos o bem de mão única. Se você receber ingratidão, não se esqueça de perdoar.

São 4 estágios de evolução do perdão:

  1. Quando fazemos uma coisa boa para uma pessoa, esperamos de alguma forma o recíproco.
  2. Quando fazemos o bem para uma pessoa e esperamos no mínimo um “obrigado”.
  3. Aquele que faz o bem ao próximo não espera nada em troca; nem gratidão.
  4. Quando fazemos o bem ao próximo e recebemos ingratidão, e isso não nos afeta.

Autoperdão

Uma das pessoas principais que você tem que perdoar é a si mesmo. O mundo está mergulhado em culpa. Por quê? Por causa do desejo. Eu desejo algo, e se não se realizou, vou caindo em uma sequência emocional, onde a primeira etapa é a frustração, depois o ódio; aí vem o ódio em ação que é a destruição; e logo depois a culpa. E nessa culpa eu entro em autossabotagem.

Fico sabotando a minha vida, porque todo culpado tem que pagar pela culpa. E se você é o culpado, você fica sabotando a sua vida, se punindo para pagar essa culpa. E é um boleto infinito. Porque não paga, não acaba nunca. Você vai ficar se punindo a sua vida inteira e aquela culpa não acaba. Você tem que se perdoar.

Na psicanálise chamamos de “sentimento de culpa”.

Esse sentimento de culpa é uma culpa ilógica, ou seja, não é culpa sua, mas você vai entrar em culpa e vai ficar também na autossabotagem. Então você precisa também se perdoar dessas culpas ilógicas. Não se deixe cair nesse jogo do inconsciente, do superego; não seja um tirano consigo mesmo. Não deixe o seu inconsciente ser tirano com você. Isso é libertador. É um processo fantástico que você vai fazer na sua vida. Se perdoe das culpas ilógicas. Se perdoe das culpas lógicas. Perdoe quem errou com você; perdoe quem faltou com você; perdoe todas as pessoas. Vibre amor.

Perguntas

Reflita sobre essas perguntas e depois discuta com outras pessoas sobre elas. E se estiver em grupo, discuta cada pergunta com todos do grupo:

  1. Você acredita que perdoou alguém de verdade na vida? Você ainda sente mágoa ou ódio dessa pessoa?
  2. Você já se perdoou sobre algo que fez de errado?
  3. Você consegue perdoar as pessoas que te fizeram algum mal para você ou para a sua família?
  4. Você é capaz de desejar o bem para a pessoa que te prejudicou?
  5. Quando você perdoa, ainda fica com a esperança de que a pessoa seja punida por algo divino ou pela justiça?
  6. O que você diria para a pessoa que te perdoa de um erro que você cometeu com ela?
  7. Você já pediu perdão a alguém? Você se sentiu uma pessoa mais humilde ou arrogante?
  8. O que está te impedindo de perdoar agora mesmo uma pessoa que te prejudicou ou magoou?
  9. Se você não conseguir perdoar, ou seja, parar de vibrar ódio e mágoa para as pessoas que te fizeram mal, o que acha que pode te acontecer?
  10. Como você vai se sentir depois que conseguir perdoar todas as pessoas?

Exercícios

  1. Faça uma grande lista com todas as pessoas que falharam com você, que faltaram com você. Escreva qual foi a dor recebida e escreva o porquê. Não fuja de sentir dor nesse momento, é natural, pois que seja pela última vez. Reflita sobre o que aprendeu na aula sobre vibrar amor para cada pessoa da lista. Vibre amor também pelos fatos, pelas histórias de dor e por essas memórias.
  2. Faça uma lista dos seus erros reais, das suas culpas lógicas, e se perdoe. Vibre amor por cada uma delas.
  3. Faça uma lista de suas culpas ilógicas e se perdoe. Vibre amor a todas essas memórias.

Meditação: Medite sobre as mágoas que você carrega e visualize o processo de perdoar, vibrando amor sobre essa memória, liberando-se das dores passadas.

Reflexão: “O que está me impedindo de perdoar a mim mesmo ou aos outros?”

Prática: Escolha perdoar alguém hoje, pense com força no bem dessa pessoa, deseje coisas boas e vibre amor para essa pessoa.

Escrita: Escreva sobre uma experiência em que o perdão trouxe paz para sua vida.

Afirmações

Para te ajudar a afirmar esses pensamentos do Perdão na sua mente, faça essa afirmação em voz alta várias vezes ao dia:

  • Eu sou a virtude em forma de perdão
  • Eu me perdoo de todo mal que já fiz
  • Pelo mal consciente e pelo mal inconsciente
  • Eu me perdoo
  • Pelo mal com intenção e pelo mal sem intenção
  • Eu me perdoo
  • Eu vibro amor no lugar da raiva
  • Eu vibro amor no lugar da mágoa
  • Pois eu perdoo quem me feriu
  • A culpa não faz parte da minha vida
  • Pois eu me perdoo
  • A tristeza não faz parte da minha vida
  • Pois eu me perdoo
  • A autossabotagem não faz mais parte da minha vida
  • Pois eu me perdoo
  • Que o amor que vibro agora chegue para todos que me ofenderam e me feriram
  • Que o amor que vibro agora transborde meu coração de luz e paz
  • Pois eu perdoei a mim e a todos que passaram em minha vida
Referências: Manual de Desenvolvimento Humano em Virtudes.

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