PERDÃO É HUMANO • O NÃO PERDÃO É NEURÓTICO
“Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos tenha ofendido”
Jesus Cristo
A primeira coisa a entender sobre perdão é que: PERDÃO É HUMANO O NÃO PERDÃO É NEURÓTICO
Ou seja, o ser humano é bom e é natural perdoar, o que você vai entender neste capítulo é porque não consegue ser mais humano.
Devemos desejar todo bem, do fundo do coração, a esse outro que errou para conosco. O perdão liberta a nossa mente e o nosso coração, pois quando temos mágoa, rancor ou raiva de uma pessoa, travamos o fluxo da vida, fazemos associações de tudo relacionado à situação e ficamos defensivos e rancorosos.
O perdão tem que ser igualmente praticado para consigo mesmo. Quando carrega culpa, você se julga e entra em um estado de autopunição, de autossabotagem inconsciente, afastando todas as coisas boas e travando o fluxo da vida.
Alguém nos fere, alguém nos trai, alguém nos prejudica e ficamos com ódio e mágoa. Alguns são os motivos dessa dificuldade:
Não dar o braço a torcer, não sair por baixo ou não deixar o outro que errou se dar bem. Tudo isso é puro orgulho. Uma das maiores expressões do orgulho é “ninguém pode errar comigo!”. O orgulhoso acha que as pessoas não podem errar consigo pois tem a fantasia de que todos devem saber como trata-lo e se importar com ele. Os orgulhosos não admitem que ninguém pode ser ferido, porque isso fere a sua importância perante os outros.
Perdoar pode nos fazer pensar que somos bobos ou fracos, e se perdoarmos muito, poderemos sempre ser passados para trás. Por isso, para perdoar, é preciso antes de tudo lutar com essa ideia e aceitar; primeiro que aos olhos da sociedade podemos ser bobos e fracos sim, e que isso não importa. Não importa o que os outros pensam de você. Ou seja, não importa quer dizer que não quero ter importância.
Você foi enganado, prejudicado e ainda assim vai perdoar? “Você é um otário” — assim pensam os primitivos. O orgulhoso precisa do reconhecimento das pessoas.
Você não quer se passar por bobo. Então a gente não libera o perdão. Por quê? Porque ficamos pensando no que os outros vão pensar sobre a nossa atitude do perdão.
Perdoar não é permitir que o outro erre com você novamente, é parar de vibrar ódio e mágoa em relação a uma memória catequizada.
O PERDÃO É PARAR DE VIBRAR ÓDIO E MÁGOA, E COMEÇAR A VIBRAR AMOR
Então pare, seja forte, firme, maduro e perdoe sim. Use o perdão. Lembrando: o perdão não é essa posição arrogante do “eu te perdoo”. Você não é ninguém para perdoar alguém.
Quando você deixa de vibrar ódio e mágoa, aceita o que aconteceu, deixa para lá e vibra amor para a pessoa. Isso é perdão. Perdão não é essa posição de dar algo para a pessoa.
Quando alguém fere um animal, ele vai olhar para o agressor com medo. Qualquer reação brusca que o indivíduo tiver, ele vai ter a lembrança da dor. Então se alguém te causou dor, é muito simples: você vai reagir a essa dor. E você não quer passar por dor de novo. Sendo assim, como forma de autodefesa, o EGO vai, de forma inconsciente e primitiva, tentar afastar quem e o que te causou dor. O indivíduo nessa situação, só de pensar em dar o perdão, entra em ansiedade e fica sintomático, podendo até ficar exaltado e agressivo.
Então a primeira coisa que você tem que fazer é trabalhar a própria virtude da aceitação. Não aceitar aquilo que aconteceu me faz reagir defensivamente com qualquer movimento que lembre o que me causou a dor. Lembre-se: animais se defendem, humanos pensam na realidade.
Os medíocres não aceitam que alguém erre e ainda saia absolvido, que se dê bem. Muitos que se dizem extremamente corretos não percebem que o perdão é mais correto; é ser um humano reto de boas condutas; mais do que alguém que busca por justiça.
Pense: quem você acha que é mais evoluído? Quem busca a justiça dos homens ou quem perdoa? O perdão não é justo.
“Todos os seres humanos vêm da mão de Deus e todos nós sabemos alguma coisa a respeito do amor de Deus por nós. Qualquer que seja nossa religião, sabemos que, se realmente quisermos amar, precisamos primeiro aprender a perdoar antes de qualquer outra coisa”
(Madre Teresa de Calcutá, Amor Maior Não Há, São Paulo, 2017)
De forma inconsciente, o indivíduo busca uma justiça de que todos devemos receber do mundo igualmente. Se todos somos irmãos, temos os mesmos direitos. Isso é uma visão distorcida de Tudo Somos UM. Temos que ter a união como irmãos, porém cada um está em uma faixa de evolução diferente com as suas dinâmicas próprias para a sua evolução. Por isso pessoas orgulhosas e infantis — que ainda questionam Deus e o mundo por não terem as mesmas vantagens que outras pessoas — não conseguem liberar perdão, pois elas querem receber perdão primeiro; elas se sentem injustiçadas por perdoar e não serem perdoadas.
Inconscientemente, alguns indivíduos pensam que se não perdoarem, que se deixarem a pessoa como culpada, ela vai aprender o seu erro. Porém isso só está acontecendo na cabeça do indivíduo, o outro nem sabe o que está acontecendo, ou não percebe a situação dessa forma.
Outro ponto importante dessa dinâmica econômica interna do EGO é que isso é uma expressão de orgulho; o indivíduo que impõe um aprendizado ao outro, tem certeza do que é certo! E isso é muito errado, é orgulho!
Também é preciso usar a competência do não julgamento para com o próximo que te causou mal. Não julgar já é difícil quando o erro afeta os outros, mas a excelência do não julgar é quando o erro afeta a nós, e mesmo assim não julgamos e perdoamos.
De forma primitiva, de forma reativa, julgamos como forma defensiva. O que importa é você compreender de fato que cada pessoa tem um estágio de evolução; uma motivação interna inconsciente; uma neurose; um transtorno. E que, às vezes, você foi um objeto nesse teatro interno do outro. Esse outro nem tem noção real do que fez.
Entender as faixas é um ato de amor e de consciência.
Fazer o bem sem ostentação é uma das máximas que as religiões propõem como o verdadeiro bem, porém como você realmente sabe que não quer nada em troca, lá em seu íntimo? No fundo — no fundo —, você quer pelo menos a gratidão dessa pessoa beneficiada. Quando somos pagos com a ingratidão e isso não nos afeta, essa é a maior prova de que fizemos o bem de mão única. Se você receber ingratidão, não se esqueça de perdoar.
São 4 estágios de evolução do perdão:
Uma das pessoas principais que você tem que perdoar é a si mesmo. O mundo está mergulhado em culpa. Por quê? Por causa do desejo. Eu desejo algo, e se não se realizou, vou caindo em uma sequência emocional, onde a primeira etapa é a frustração, depois o ódio; aí vem o ódio em ação que é a destruição; e logo depois a culpa. E nessa culpa eu entro em autossabotagem.
Fico sabotando a minha vida, porque todo culpado tem que pagar pela culpa. E se você é o culpado, você fica sabotando a sua vida, se punindo para pagar essa culpa. E é um boleto infinito. Porque não paga, não acaba nunca. Você vai ficar se punindo a sua vida inteira e aquela culpa não acaba. Você tem que se perdoar.
Na psicanálise chamamos de “sentimento de culpa”.
Esse sentimento de culpa é uma culpa ilógica, ou seja, não é culpa sua, mas você vai entrar em culpa e vai ficar também na autossabotagem. Então você precisa também se perdoar dessas culpas ilógicas. Não se deixe cair nesse jogo do inconsciente, do superego; não seja um tirano consigo mesmo. Não deixe o seu inconsciente ser tirano com você. Isso é libertador. É um processo fantástico que você vai fazer na sua vida. Se perdoe das culpas ilógicas. Se perdoe das culpas lógicas. Perdoe quem errou com você; perdoe quem faltou com você; perdoe todas as pessoas. Vibre amor.
Reflita sobre essas perguntas e depois discuta com outras pessoas sobre elas. E se estiver em grupo, discuta cada pergunta com todos do grupo:
Meditação: Medite sobre as mágoas que você carrega e visualize o processo de perdoar, vibrando amor sobre essa memória, liberando-se das dores passadas.
Reflexão: “O que está me impedindo de perdoar a mim mesmo ou aos outros?”
Prática: Escolha perdoar alguém hoje, pense com força no bem dessa pessoa, deseje coisas boas e vibre amor para essa pessoa.
Escrita: Escreva sobre uma experiência em que o perdão trouxe paz para sua vida.
Para te ajudar a afirmar esses pensamentos do Perdão na sua mente, faça essa afirmação em voz alta várias vezes ao dia: