Humildade
Para a virtologia, a humildade é o inverso do orgulho. O que é orgulho?
O orgulho é a necessidade primitiva do tronco cerebral de ter importância para ser aceito e aprovado. Para assim ter a sensação de sobrevivência.
É uma busca de sobrevivência, isso porque existe em nosso tronco cerebral uma mensagem — assim como no de todos os animais — que “em bando nós sobrevivemos”. Por isso fazemos de tudo para ter importância, para sermos aceitos e aprovados pelas pessoas; para assim satisfazer esse instinto de sobrevivência. É daí que nasce o nosso orgulho e todas as variáveis do orgulho.
Veja no mapa: o orgulho está situado no centro. Observe todas as variáveis do orgulho. A busca de poder, a busca por honra, a vaidade, a luxúria, a necessidade de poder, de fama, a busca pelo sucesso, o TOC, o controle, a inveja, ou seja, a maioria do nosso atraso moral vem do orgulho.
Enquanto nos preocupamos com o que os outros pensam, mais o orgulho nos torna arrogantes, inflexíveis e vaidosos; e essa busca por ter importância é o nosso grande tiro no pé.
O orgulho nos impede de sermos nós mesmos, pois temos sempre que ser o que os outros aprovam; impede de aceitarmos a vida como ela é; não nos deixa ser gratos; não nos deixa perdoar outras pessoas; impede de nos reconciliarmos com as pessoas. Sendo assim, o seu fluxo natural da vida será bloqueado. E você vai se tornar mais animal, mais primitivo, mais bicho, porque toda essa vibração dos seus pensamentos está no tronco cerebral.
O orgulho e o egoísmo são o grande centro de todo atraso que paira sobre a evolução humana. Portanto, eu posso dizer que a humildade é uma das principais virtudes que temos que trabalhar.
Vamos atingir grandes níveis de evolução em todas as outras virtudes se vencermos o nosso orgulho. Então, vamos conhecer as variáveis e expressões do orgulho e como ele pode se manifestar, sendo que cada pessoa pode ser mais ou menos orgulhosa em cada uma das expressões do orgulho.
- Vaidade intelectual
- Vaidade corporal
- Soberba
- Necessidade de poder
- Dominância
- Controle
- Necessidade de reconhecimento
- Necessidade de aprovação
- Estrelismo
- Narcisismo
- Resistência
- Arrogância
- Timidez
- Vergonha
- Agressividade
- Ira
- Mentira
- Inflexibilidade
- E muito mais
O orgulho é o ponto zero de todas as neuroses humanas; essa descoberta muda como analisávamos o inconsciente e o comportamento humano.
O orgulho é muito mais complexo e está em todas as expressões do ser humano.
Até mesmo na simplicidade, por exemplo quando alguém se mostra simples através da verbalização dirigida à outras pessoas: “gosto mesmo é de comer arroz com feijão”. “Eu não ligo para comida chique, eu não ligo para roupa cara”. “Eu gosto de me vestir simples”. A pessoa tem a necessidade de anunciar essas coisas.
Quando nós anunciamos algo, estamos pedindo aprovação e aceitação sobre esse algo, ou seja, eu sou mais importante porque eu sou mais simples do que você. Isso é uma importância; certamente isso é orgulho.
O orgulho nos faz ficar em uma bolha. Por isso que o velho fica muito velho. Ele não aprende, por quê? Porque ele não quer se expor à crítica. A evitação da crítica, a timidez e a vergonha são produtos do orgulho.
Pessoas que são tímidas parecem ser muito boazinhas, né? É exatamente o contrário: são as mais arrogantes e as mais orgulhosas, porque em sua mente pensam: “se eu me expuser e for criticado, isso é tão insuportável que prefiro me calar”.
E aí vem um mecanismo que se chama inibição, que é a restrição de uma função normal. A comunicação é uma função normal. Logo, o que eu evito é um sintoma, e a causa do sintoma é o orgulho. É por isso que os “simples”, os “tímidos”, que às vezes parecem ser humildes, nada têm de humildade. Na verdade, é um excesso de orgulho.
Orgulho porque não quer estar errado; são as pessoas que não querem mostrar o seu fracasso. Não querem mostrar para os outros que elas erram. Como é que o cérebro vai fazer para que os outros não vejam que ela fracassa? Ela não tenta. E aí ela fica em uma bolha sem tentar. A pessoa fica estagnada.
É o tipo da pessoa que não procura fazer algo novo: aprender uma coisa nova, montar uma empresa, buscar um emprego novo ou fazer amigos novos. Qualquer movimento novo que não está dentro de uma certeza de acerto, de total controle, o arrogante não tenta, o arrogante evita, porque não quer mostrar para os outros que ele erra. Aí temos, por exemplo, uma geração inteira que não quis mexer com tecnologia.
Por causa do orgulho; para evitar que as pessoas me critiquem, para evitar que eu fracasse, o que eu faço? Acabo ficando em uma bolha, em um mundo velho, em um mundo particular onde tudo que é novo ou diferente eu não aceito e critico. Perceba que o preconceito e racismo vêm daí.
Se observe! Veja como você reage quando apontam o seu erro! Quando você é exposto para outras pessoas! Tudo isso vai mexer com o seu orgulho. Veja como você reage a essas coisas. Veja o quanto você pensa no que os outros estão pensando sobre você. Tudo isso é orgulho!
Os orgulhosos querem estar no controle, eles acham que podem controlar tudo, mas a vida é caos, por isso vivem em ansiedade.
O que te defende, te destrói.
O que isso quer dizer? Nessa frase estou falando sobre os mecanismos de defesa do Ego: quando somos orgulhosos, somos resistentes à mudança e a tocar naquilo que nos incomoda, aí vêm os mecanismos de defesa — por exemplo a negação, a racionalização, a projeção e por aí vai. Ou seja, cada vez que inconscientemente nos defendemos, estamos nos afastando da realidade e da solução dos problemas. Por isso “o que te defende, te destrói”.
E quando eu defendo a minha bolha, eu viro um crítico de tudo que está fora da bolha. E eu viro aquele fascista, criticando e criticando, e achando que estou me defendendo. É aquele tipo de pessoa que vai defender o machismo; que vai defender a violência doméstica; que vai defender expressões de violência, como desmatamento e guerras. Defender formas velhas de se viver atrasa o mundo e a si mesmo.
Outra forma interessante de ver o orgulho é quando as pessoas leigas o usam como se fosse uma coisa boa, em expressões como: “tenho orgulho do meu filho”, “tenho orgulho da minha casa”, “tenho orgulho da minha profissão”. Essas expressões são do orgulho e não apenas uma forma do senso comum, é uma expressão da importância que a pessoa ganha por coisas desse gênero: “eu tenho orgulho do meu filho ter feito faculdade”, por exemplo. Temos algumas coisas a analisar no discurso. Primeiro a projeção da conquista: a conquista foi do filho. Ao invés dos pais dizerem: “eu fico feliz pelo meu filho ter feito faculdade”, deixando claro que ficam felizes por ele estar fazendo coisas boas por ele mesmo, que coisas boas estão acontecendo na vida dele. O orgulho disso é uma projeção, isto é, eu ganho importância pelo meu filho ter feito faculdade. Sem falar na informação oculta no discurso, que é a própria importância de: “fui eu que proporcionei a faculdade do meu filho”, “fui eu quem deu condições para ele fazer a faculdade”, “sem minha ajuda, o meu filho não teria feito faculdade”.
Orgulho da casa e/ou da profissão é a mesma coisa: em vez de vibrar gratidão pela casa ou profissão, de dizer “eu sou feliz aqui”, a pessoa expressa que tem orgulho. Melhor dizendo: “eu ganho importância a partir da minha casa e profissão”.
Quando o indivíduo não aceita o que aconteceu em sua vida, as suas faltas, traumas, abandonos e falta de reconhecimento alteram a sua realidade tentando ter o que faltou de forma simbólica. E assim se torna um neurótico. O objetivo é deixar de ser inconsciente. Isso mesmo! É expandir a consciência. Pois os registros de dor, sofrimento e angústia estão em nosso primitivismo. A ideia de que podemos mudar o passado, de um inconsciente atemporal, só existe enquanto estamos primitivos. O inconsciente não é um local, é um estado da mente. Quanto mais primitivo, mais inconsciente. Porém podemos deixar de funcionar com esse estado mental inconsciente e funcionar de forma mais consciente. E o ponto central é o orgulho e o egoísmo.
Os vícios são compulsões. No estado primitivo, quando se tenta dominar um vício, o que acontece é um deslocamento da pulsão — como alguém que domina o paladar e começa a ser obsessivo por exercícios, compras ou álcool. O medo da falta no amanhã está gravado em nosso DNA de milhares de anos, mas só funcionamos a partir desse registro enquanto primitivos. A única forma de vencermos o registro de traumas, abandonos e a nossa própria história genética é desenvolvendo as virtudes e dominando o nosso primitivismo. Ou seja, se o vício te domina é porque ainda está primitivo e inconsciente.
Vocês foram inundados por alta performance, o caminho para o sucesso e fórmulas de bem-estar, sendo que o que move o ser humano é o propósito e o estado de consciência. Aí a performance vem naturalmente e o sucesso é apenas algo inevitável. Mas quando forçamos pessoas primitivas a serem vencedoras, elas não enxergam propósito, e vencer significa vencer o outro. A ambição, a necessidade de poder e o sucesso são o pior que temos na humanidade. Alguém que ainda não venceu o seu egoísmo e o seu orgulho não está preparado para lidar com essa busca. Quem ainda não se encontrou não está preparado para procurar nada fora de si.
Pelas formas de orgulho, o intelectual se acha melhor que o fortão da academia, mas baseado na teoria do orgulho, eles estão no mesmo estágio, apenas com expressões diferentes de poder.
Dependência: as pessoas fazem de tudo para não serem dependentes e não pedir ajuda. Isso é orgulho. Todos Somos UM é uma das 33 virtudes que você vai estudar e vai entender que somos dependentes uns dos outros; e isso é humano, é assim que funciona. Por isso a união faz a força e não o contrário.
Se perceba! Note o seu discurso, a sua fala. Você está sempre tentando convencer as outras pessoas que você é legal, que você pode ser amado. Você está buscando ser desejado, ser amado e ser cuidado. Você não está nem aí para o outro. E a felicidade não está em você ter importância para os outros aplaudirem e reconhecerem você, e sim estar interessado no outro. A evolução não vem para convencer o outro a te amar, e sim para você amar o outro. Isso é um ato de humildade.
Reflita se as suas decisões, os seus incômodos, os seus nervosos e as suas tristezas vêm desse orgulho ferido; vêm dessa necessidade de ter importância. Se você não praticar a humildade, você vai ter não só um atraso moral, mas você vai ter um atraso na sua vida, nas suas conquistas.
Perceba que piada a vida nos traz: o nosso tronco cerebral nos diz que temos que ter importância e sermos aprovados pelas pessoas, pois assim sobrevivemos. Porém é exatamente nessa busca de ter importância que afastamos as pessoas. As pessoas não querem ficar do lado de pessoas arrogantes, vaidosas e inflexíveis.
Não querem. Olhe para as pessoas que são mais agradáveis para você ficar ao lado. São pessoas humildes, pessoas mansas, pessoas leves e pessoas com bom humor; que têm gratidão à vida, que aceitam as perdas da vida. Veja nas outras pessoas quais são as mais agradáveis de se estar. E se veja! Observe se você não está a toda hora se defendendo dos outros, do mundo; se a sua defesa não é exatamente provar para o mundo que você é importante, provar que você tem importância.
Se o orgulho te faz pensar que você não é capaz, que sempre tem outras pessoas melhores, você não vai fazer nada na vida. Claro que vai ter outro melhor! Sempre vão ter outras pessoas mais inteligentes e mais capazes, mas qual o problema? Você toca a sua vida. Entendeu? Não fica preocupado em ser o melhor ou maior. Você fica sempre se comparando ao vizinho, que carro ele comprou, ou na empresa, se o outro é melhor. Pare com isso, pois é o contrário da humildade. Então essa busca de ser o melhor e o maior nas coisas podem te evitar a fazer, a viver a sua vida. Você não precisa ser o melhor ou o maior nas coisas. Isso não quer dizer que você não vai se dedicar a ter a virtude da busca do melhoramento, sempre. É sempre bom a gente melhorar e dar o nosso melhor. Isso não quer dizer que eu vou me tornar o melhor na coisa.
Então se perceba! Note onde você está evitando ser avaliado e está parado.
Perguntas sobre a Competência da Humildade
Reflita sobre essas perguntas e depois discuta com outras pessoas sobre elas. E se estiver em grupo, discuta cada pergunta com todos do grupo:
- Quando você é criticado, toma alguma advertência ou alguém não concorda com o que você está falando, você fica nervoso, ansioso ou triste?
- Você gostaria de ser famoso, ter autoridade sobre as pessoas?
- Gostaria que ninguém mandasse em você?
- Você busca fazer com que as pessoas te respeitem?
- Você acha que tendo status as pessoas vão te respeitar mais?
- Se você for humilde, acha que as outras pessoas vão te prejudicar ou te passar para trás?
- Ser humilde é demonstrar fraqueza ou ser inferior?
- Quem é um exemplo bom de humildade?
- O pobre pode ser orgulhoso e o rico pode ser humilde?
- Você concorda com a frase: quem quiser ser o primeiro, que sirva aos outros?
Exercícios
- Diário do orgulho: Anote tudo que te deixa nervoso, com raiva e triste. Isso vai aumentar a sua percepção sobre o orgulho e onde ele aparece.
- Mudança: A partir das coisas que aparecem no diário do orgulho, faça um plano de ação, escreva novos comportamentos e coloque em prática.
Meditação
Medite sobre os momentos em que você tentou mostrar mais do que sabe ou agir com orgulho. Reflita sobre o poder da humildade em permitir que você aprenda e cresça.
Reflexão
Pergunte-se: “Como posso ser mais humilde em minhas interações diárias?” e “O que a humildade pode me ensinar em situações em que eu erro?”
Prática
Pratique aceitar críticas com gratidão, sem se defender imediatamente. Reconheça quando você erra e peça desculpas quando necessário. Permita que os outros errem com você.
Escrita
Escreva sobre um momento recente em que você praticou a humildade ou poderia ter praticado.
Afirmação da Humildade
Para te ajudar a afirmar esses pensamentos da Humildade na sua mente, faça a afirmação em voz alta várias vezes ao dia:
- Eu sou a virtude em forma de humildade
- Eu não busco mais ter importância
- Eu não quero ser mais importante
- Eu domino meu orgulho
- A vaidade não me domina mais
- A arrogância não faz parte de mim
- Pois eu domino meu orgulho
- Eu não quero mais controlar as coisas e as pessoas
- Eu acolho as pessoas em seus defeitos e suas falhas
- Aceito os percalços da vida
- Eu domino meu orgulho
- Não busco o reconhecimento
- Não busco o aplauso
- Eu domino meu orgulho
- Eu não uso comunicação violenta
- Uso a brandura para falar e tomar minhas decisões
- Eu domino meu orgulho
- Não me interessa ser o primeiro
- Não me importa não ser o melhor
- Pois eu domino meu orgulho
- Eu uso o bom humor para as tragédias da minha vida
- O mau humor e o nervosismo não fazem mais parte da minha vida
- Eu domino meu orgulho
- A voracidade e a gula não fazem parte da minha vida
- A ira e a vingança não fazem parte da minha vida
- Eu domino meu orgulho
- A vergonha e a timidez não fazem parte de mim
- A preguiça e a procrastinação não fazem parte de mim
- Eu domino meu orgulho
- Amo e ajudo meu próximo
- Não julgo as pessoas que são diferentes que cometeram erros
- Pois eu domino meu orgulho
- Trato todas as pessoas com igualdade e fraternidade
- Não me sinto humilhado e nem exposto, nunca
- Eu domino meu orgulho
- Sou grato pela vida
- Eu domino meu orgulho